N.º 102  |  Novembro / Dezembro 2005  |  Ano XX




ACERCA DA PO

Fundada em Setembro de 1985 por um núcleo de militantes que no ano anterior tinham abandonado o PC(R), Partido Comunista (Reconstruído), mais tarde dissolvido, Política Operária definiu-se no seu primeiro número como “revista política e teórica comunista” com o propósito de “levar ao proletariado as ideias marxistas, combater o praticismo reformista que o domina e criar condições para a formação de um verdadeiro partido comunista operário em Portugal”. No período desde então decorrido, se é certo que a evolução regressiva da luta de classes, tanto no nosso país como à escala mundial, não permitiu que se cumprisse o principal objectivo da revista, é de assinalar que esta não se desviou do seu programa inicial. Em dezanove anos de publicação ininterrupta, Política Operária tem-se mantido fiel aos compromissos assumidos no seu Estatuto Editorial e no seu primeiro editorial, que a seguir reproduzimos. Ao longo destes anos difíceis, Política Operária só pôde sobreviver no meio das dificuldades graças à confiança, ao apoio e à colaboração dos seus leitores. É com eles que contamos para manter e alargar decisivamente o projecto que deu origem a esta revista.




O NOSSO PRIMEIRO EDITORIAL

O DIREITO À REVOLUÇÃO

O lançamento de “POLÍTICA OPERÁRIA" depara com uma pergunta quase certa: que utilidade tem uma revista que se propõe levar aos operários a discussão dos grandes temas da política?
A maioria dos trabalhadores não verá interesse prático numa iniciativa destas. Hoje, porque estamos envolvidos numa série de campanhas eleitorais e todos querem saber em quem votar; amanhã, porque será necessário prosseguir a luta contra os despedimentos, os salários em atraso, a carestia, a exploração capitalista.
E, contudo, não têm faltado à classe operária, nos últimos onze anos, ocasiões para fazer sentir o seu peso, em eleições, em greves, em manifestações. Como se compreende que a sua situação seja cada vez pior? É que lhe faltou o principal: uma linha de rumo coerente, que só poderia ser conseguida através da reflexão e do debate entre os operários conscientes. Desgraçadamente, está enraizado no nosso movimento operário o preconceito de que reflectir, debater, teorizar seria uma ocupação para intelectuais. Aos operários caberia só actuar, lançar acções de massas. Este praticismo entranhado – que se mascara de dinamismo e até chega a exibir-se como uma marca de classe! – é o maior responsável pelo atraso do movimento operário português.

Fazemos parte de um movimento operário lutador mas privado de independência política, afogado em preconceitos pequeno-burgueses. Esta é uma conclusão que pode parecer dura mas que tem de ser dita.

TOPO